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Fim dos tempos


Não existe o fim do mundo!

E por mais que o contrário a  isso seja a afirmação que conforte o coração de várias pessoas ao redor do mundo e por centenas de anos, eu não acredito no fim do mundo!

Acreditar que a única salvação para tudo é o fim de tudo e o recomeço a partir do zero é assinar a nossa própria sentença de incompetência diante dos desafios que se colocam a nossa frente.

Nada contra as frentes religiosas e espirituais que acreditam nisso, mas olhando pelo lado humano: qual o sentido da vida se a vida que vivemos nada mais é que aceitar as condições extremas a qual somos impostos e esperar que o fim justo, com o julgamento da verdade, chegue para punir os culpados e absolver os inocentes?

Qual é a nossa parcela de culpa, por ação ou omissão, de tudo o que vemos e vivemos? E se temos essa culpa também temos a possibilidade de recomeçar, aos poucos, a mudar o cenário e evoluir. E é esse exatamente o ponto: Evolução.

A Evolução vai além daquelas que já alcançamos, de ordem técnica e tecnológica. De ordem científica ou informatizada. Ela está na base da nossa moral e ética. Não em um conservadorismo, mas na mais pura aceitação que o outro é parte igual a mim mesmo. E diferente, pois tem seus sonhos, medos, vontades, desejos e decepções.

Pensar num futuro de reconstrução exige desconstruir.

Desconstruir é o "Nosso Apocalipse". Desconstruir de velhos pensamentos, de velhos preconceitos, velhas amarras e reconstruir-se a partir do Amor e da aceitação. Do respeito e do carinho, do amadurecimento e da responsabilidade, do orgulho das origens e da nova perspectiva sobre o que é novo.

A História da humanidade mostra o quanto fomos capazes de desconstruir para reconstruir. E aqui não falo das grandes guerras, mas sim das batalhas que vencemos dentro de nós mesmos em busca dessa evolução.

As vezes parece cíclico, e de fato é! Mas há sempre uma nova volta nesse "espiral", que acaba esticando ainda mais o ciclo e o exponencial da evolução.

Independente de sua crença, é importante admitir que numa escala global, padrões éticos tendem a se aperfeiçoar. Não é mais aceitável, por exemplo, episódios de execução em massa com fins de purificação de raça. Raça, o que é raça? Já nem dividimos mais o mundo assim.

Prefiro pensar na leveza das crianças como o mais importante sinal de que ainda podemos ter esperança. Enquanto nós, adultos, somos páginas já escritas, as vezes impressas e entranhadas nas folhas velhas de um livro já surrado, rabiscado e rasurado, as crianças são páginas novas e brancas esperando nossa caneta para firmar o seu aprendizado sobre o mundo.

E é essa a nossa responsabilidade. Fazer diferente para que nossos filhos e netos aprendam conosco, não só pelo que falamos, mas principalmente, pelo que fazemos, o que é certo e o que é errado. E admitir que, teremos sucesso se olharmos para eles e ver o quanto eles são melhores que nós.

O fim não está próximo! Não da forma como muitos acham, mas da forma como deve ser: o fim da arrogância, o fim da ignorância, o fim do ódio, o fim do desrespeito, o fim da "ditadura de pensamento" e a aceitação de que, questionar significa aprende e discutir significa procurar o caminho que melhor se encaixa naquele cenário.

Costumo a dizer que para o fim do mundo não precisava desse caos todo. Basta apenas fazer de homens e mulheres estéreis e em pouco mais de um século, não haveria mais uma alma viva pra contar a história.

Portanto, como diz o velho ditado: "enquanto há vida, há esperança".

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