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Café...


Nem eu sei mais de onde vem essa minha paixão por café. Mas vou tentar lembrar aqui.

Lembro de meu pai acordando muito cedo pra fazer café, e ir trabalhar. Mas não me lembro de eu tomando esse café quando criança.

Segundo histórica contada pela minha mãe, no primeiro dia de ambos casados, depois da Lua de Mel, meu pai a acorda e diz: "Mulher, acorda pra fazer café..". Minha mãe, com olhar solene vira pra ele e diz: "Quer café, vai fazer!". Desde então, e de minha mais remota lembrança, era ele quem fazia o café.

Passado o tempo, e quando comecei a trabalhar aos 16 anos, conheci café pra valer. Aquele que é coado de dia e de tarde nas agências bancárias... Nem sei se hoje ainda é, mas na minha época de Caixa Econômica tinha o cafézinho adoçado como mel, e era pelo menos um copinho a cada hora ou hora e meia. E descobri que tomar café naqueles copinhos de plástico é um assassinato a língua. Queimava sempre. Foi a partir daí que passei a tomar o café no copo d'água. Hoje em dia é normal, mas naquela época o povo me olhava meio de rabo de olho.

Também nessa época me lembro de ter chegado do trabalho numa sexta-feira qualquer a tarde e em sequência meu primo Edinaldo veio visitar meu pai. Ele trabalhava na Wikibold na entrega de pães e veio trazer um saco de pão de forma e conversar um pouco com o "padrinho" de coração. Todos os meu primos o tinham como pai de coração.

E meu pai, com aquele coração enorme, que havia comprado um pedaço generoso de queijo no mercado, fez um garrafa de café pra ambos comerem queijo tomando café. Entrei na onda e comemos e tomamos todo o café e o queijo que era pra família inteira.

Em 2000 meu pai se foi, e seu café também...

Ficou minha mãe e nós redescobrindo as coisas da vida que ele cuidava tão bem: Comida, café, carinho, dinheiro, e as vezes aspereza também. Sem problemas, todo mundo tem defeito.

(...pausa pra respirar... e pegar mais um café...)

Daí passei a trabalhar em callcenter: Vésper, Elektro... Lá descobri o tal do café expresso de máquina. Forte, meio amargo, e extremamente energético, esse danado me mantinha acordado e com ânimo pra encarar a atividade de atender clientes até 2004, aguentar o baque depois do nascimento do Miguel e as intermináveis madrugadas acordado e ir trabalhar no dia seguinte, e ter pique pra dar suporte as minhas equipes de atendentes, e disposição pra chegar em casa e ajudar a cuidar e criar os pequenos.
Mas, curiosamente, nem garrafa de café tinha em casa. Minha esposa odeia café.

No período entre Elektro e Motiva redescobri o café nas padarias do centro, enquanto procurava emprego. Graças a Deus tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas que me deram a oportunidade de recomeçar minha carreira depois de 11 anos, e entrei na Motiva. Lá descobri a Dadá.

Dadá é a pessoa mais querida da Motiva. E passava nosso café de manhã e de tarde, pra mim e minha equipe, aguentar o baque da operação que cuidávamos. Era muito café!

Mas eu precisei sair da Motiva, e redescobri os cafés de padaria no centro procurando novamente emprego. E foi graças a outro apaixonado por café que me recoloquei no mercado de trabalho.

Evandro Marrone, um verdadeiro irmão, me abriu as portas de onde trabalhava, Primius, operação Luxottica, e lá fizemos uma nova parceria que durou mais dois anos novamente. E todos os dias, fazíamos nossa parada pra café no meio da manhã, depois do almoço, no meio da tarde, no final da tarde... E em alguns dias do mês, nos postos de gasolina a beira da Bandeirantes, procurando o café perfeito. Quando achamos, era caro demais!

Marrone foi embora, deu um novo rumo na sua vida, mas continua um grande amigo. E eu também. 

E voltei pra Motiva, pros cafés da Dadá!

A partir desse momento, já nem sei mais quantos cafés tomo por dia. Perco as contas todos os dias. O da Dadá, o da barraquinha, ou qualquer outro que apareça.

Mas hoje em dia, o café mais esperado do mês, é aquele que tomo com minha mãe nas tardes de sábado ou domingo, pelo menos uma vez por mês. É um momento muito agradável. Seja em casa, seja na sua casa, seja em uma cafeteria qualquer.

A gente expressa nosso sentimento às pessoas que amamos de formar bem particular.

Não tenho o costume e nunca terei de levar os problemas habituais do dia a dia pra minha mãe e assim também não o faria se meu pai tivesse vivo. Acho inclusive que isso aprendi com ele. Mas tomar um café comendo um bolo, um pão, ou não comendo nada, mas conversando sobre qualquer bobagem (e diga-se de passagem, acho que mais ouço do que falo), é um momento de amor entre filho e mãe. Não sei se ela entende isso, mas eu percebo fortemente.

Nesse momento familiar, é o momento que mais amo com minha família!

Comemorar aniversário, passar o Natal juntos, fazer churrasco. Tudo isso é muito legal, mas tomar café com minha mãe não tem preço!

E falando sobre como expressamos nosso sentimento de amor um pelo outro, quando minha esposa quer me agradar, ela não se engana: Me faz um café! Mesmo não gostando nem do cheiro, ela se esforça pra isso. Isso é amor!

Essa é minha relação com o café. E fazendo um agora a tarde e vendo o "pretinho cheiroso" sendo coado e caindo direto na garrafa, com sua fumaça e seu cheiro inconfundível, lembrei de todas essas histórias aí escritas.

Amo Café, amo contar histórias, amo me reunir com minha família pra tomar café. Não tem uma desavença que não se cure com um copo, uma xícara de café ou uma caneca na mão.

Vamos tomar um café?

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